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Exposição de Fotos da viagem na Biblioteca Pública do Paraná, em Curitiba. Período de 11 a 31 de Janeiro de 2007.
Cordilheira dos Andes
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A VIAGEM A aventura começou dia 18 de Dezembro de 2005, num Domingo. Tudo que vi e senti durante a viagem jamais poderia ter imaginado algo parecido. Foram aproximadamente 3.482 km, de Curitiba, no Paraná a Santiago do Chile, passando pelo Uruguai e Argentina. Minha primeira emoção foi quando dormir na Vila Paulo Lopes. Um lugar muito hostil, acabei passando a noite na porta de uma capela da vila. As 3 da madrugada, quando finalmente estava dormindo, aproximou-se um morador que incomodado com minha presença pediu para eu ir embora. Claro que não o fiz. Não conformado com minha decisão, deixou a luz da sua casa ligada o resto da noite inteira. Rio Grande do Sul Em Torres dormi em um camping ótimo. Cidade pacata e agradável, as pessoas também são simpáticas. Mas Torres é mais, atrações naturais belíssimas como Parque da Guarita. De Torres continuei pela conhecida Estrada do Mar, como próprio nome diz, uma estrada que dá acesso a várias praias do litoral gaúcho. A Estrada do Mar, além de harmoniosa e exuberante através do contato com a natureza, também é muito segura, pois é proibido trafegar caminhão. Em Camaquã, conheci um mendozino (Mendoza - Argentina) disse para não preocupar com os Andes, pois no verão a estrada da Cordilheira é quente. O mendozino viajava de carona (al dedo, em espanhol), seu objetivo seria chegar em Salvador e apreender português com alguma soteropolitana, ou seja uma típica brasileira da Bahia. No dia de Natal estava em Rio Grande e uma família me acolheu no almoço. José Martin, o dono do armazém percebeu que não consegui nenhum lugar para refeição e convidou me para almoçar convosco, na sua maravilhosa e divertida família. Próxima parada, Estação Ecológica TAIM, protegido pelo IBAMA. A natureza bem perto. Mas antes, acampei a noite na Lagoa Mirim. Conheci uns gaúchos motoqueiros, que ali também acampavam. Prepararam um baita churrasco. Como pode em plena mata!??! bem depois, ouvi a história do chimarrão entre outras. Após a Estação TAIM, a paisagem se repete é continua assim por uns 100 km. É plantação de arroz para todo lado que olho.
Ponto mais Meridional do Brasil Bem, o ponto mais meridional é Barra do Chuí, que infelizmente não fui. Fiquei somente em Chuí. Chuí (Chuy, lado uruguaio) foi interessante, pois foi o primeiro contato com o castelhano. Tive muito medo (na verdade pavor). E apesar, de 9 meses de curso da língua espanhola, não conseguia compreender uma palavra. Ao amanhecer conheci um cicloviajante colombiano, do lado Uruguai do Chuy, na Av Brasil, conversamos um pouco (ainda bem que falava português). Ele viajava há 4 anos pela América Latina. Rota internacional
Passando pela burocracia Uruguai relativamente simples, pedalei pela rota 9 até o Balneário de Las Flores, lugar muito aconchegante. No camping, conheci outros dois cicloaventureiros brasileiros, Paulo e Renato, iriam até Montevidéu. Daí em diante fomos juntos até a capital uruguaia. Porém, como todos os problemas de capital, meu amigo Paulo foi assaltado. Na prefeitura, já registrando queixa, rimos muito do acontecimento (não foi nada engraçado para meu amigo), mas pelo menos, ganhamos refrigerante (gaseosa) e panetone (pan dulce) de graça. As ruas de Montevidéu têm um atrativo colonial inigualável, andar ou pedalar pelas ruas é recompensador. Uma tradição peculiar do Uruguai, na véspera do ano novo, os uruguaios atiram água para fora da janela. "Fiestas de años", como eles dizem, dá sorte. Numa das ocasiões que presenciei a queda d'água, tinha acertado um executivo que ali passava. Achei, no momento, que faziam protesto contra o capitalismo, ou algo do tipo.
Cheguei em Buenos Aires dia 30 de dezembro. Marquei com minha noiva de encontrarmos nesta cidade, para passarmos o ano novo juntos. Mas parecia que tudo estava dando errado, não encontrei lugar (não havia reservado hostel) e não consegui falar com minha noiva. Minha sorte mudou quando esbarrei com um casal: Gonzalo, argentino e Marcela, brasileira. Seguindo para Santiago do Chile pela rota 7, depois de 4 dias em Buenos Aires. Na Argentina é mais tranqüilo para acampar, você pode dormir, de graça no ACA -Automovil Club Argentino, mas também há postos de gasolinas (estación de servicio), como YPF. Primeira parada foi Carmen de Areco, onde fui bem recebido por Sergio, um maratonista. No verão Argentino há muito calor e vento ao contrário (ou de lado, que é pior). Cidade em que passei registrava 41º, como Venado Tuerto. Por este quase deserto tive várias companhias de ciclista que encontrava pelo caminho: Geraldo, Edith, entre outros. Devido as chuvas a rota 7 ficou inundada ocasionando um desvio de terra. Recomendaram pegar outras rotas, foi justamente que eu fiz, logo depois de Junín. Peguei a rota 65 e, depois, a 8. A principio não foi uma boa idéia, porém por este caminho me levou a conhecer o Balneário de Rio IV e Achiras, duas cidades encantadoras. Em Rio Cuarto, conheci um alemão, que morava na Itália e estava cruzando a Argentina de bicicleta, porém, em Rio IV, desistiu, resolveria continuar de Motocicleta. Dieter é seu nome, pensou duas vezes antes de atravessar Córdoba de bike, já que é cheia de serras. Dieter é agricultor, pesquisador, sábio e menonita. Estava procurando um lugar para viver na Argentina. Dieter mostrou uma tal "água cristalizada", esta água, misturada com água natural e esperando algum tempo, toda água se tornaria fresca. Claro que não acreditei, mas funcionou durante a viagem. Inacreditável. Já em Achiras, conheci um argentino, Oso, que também já tinha pedalado pela América Latina. Me ofereceu um helado (sorvete) e deu algumas dicas sobre a Cordilheira. Depois de algumas serras, cheguei em San Luiz. Lá conheci mais brasileiros, parece peste, tem em todo lugar: André e Camila. Fiz muitas amizades, mas também ganhei um apelido: hablador. Bem, depois de quase 10 horas pedalando, sem conversar com ninguém e passar por muitas maravilhas da natureza, você tem muito que contar. Na próxima parada, La Paz, isto mesmo, chara da Bolívia. O eixo da roda traseira quebrou (se rompeu), mas nada que a sorte pudesse ajudar novamente. Quando aconteceu estava conversando com um ciclista, que por acaso (muita coincidência) era taller mecanico (torneiro mecânico), Rolly, soldou, lixou, cortou, fez de tudo e conseguiu. Assim, consegui chegar em Mendoza, fronteira da Argentina com Chile Mendoza Em Mendoza, fiquei num hostel, resolvi também ficar uns dois dias antes de seguir para cordilheira dos Andes, por três motivos: descansar um pouco e aproveitar para conhecer o local, concertar a bicicleta e livrar de excesso de peso que vinha carregando. Descansar não consegui, pois conheci um canadense que não parava de falar a noite inteira, ficou muito curioso sobre minha aventura. Por outro lado, conheci muitas outras pessoas dois argentinos e um francês, dois irmãos suecos, além de mais brasileiros. Pierre, o francês, falava português (graças a Deus), é um pouco nômade morava na França, Espanha e Portugal e, também viajante de magrela (bici). Deu me algumas dicas de como conseguir patrocínio e onde acampar nos Andes (Uspallata e Puente Inca). Já fez várias viagens pela América e Europa. Muito simpático. Também tinha que arrumar a bici, fiz os ajustes e levei para maior bicicletaria da Argentina, que ficava em Mendoza mesmo. Depois mandei lavar a bike, claro tive que pagar propina (que em português significa gorjeta). Ofereci-lhe como propina um pomelo (refrigerante muy rico da Argentina). Quando fui aos correios enviar alguns objetos de volta ao Brasil, tive uma surpresa, a encomenda tanto para o Brasil, como para Chile, é uma fortuna. Então, resolvi jogar tudo de excesso no lixo, mais aí conheci dois irmãos brasileiros, que se ofereceram para levar o excesso de volta ao Brasil: Eduardo e Alexandre Whitaker. Eles eram backpack (mochileiros) de primeira, já tinham vindo da Bolívia e Chile e estavam de férias da faculdade.
Cordilheira dos Andes - Cordilleira de los Andes Dia 14 de Janeiro, comecei a aventura aos Andes. Logo de manhã conheci um motoqueiro brasileiro, Iteles, que ia à Santiago do Chile. Ofereceu uma grana, acabei aceitando, porque estava com pouca reserva de dinheiro. Logo a seguir, nas primeiras subidas, encontrei uns policias argentinos que ofereceram ajuda (em troca de propina, claro), mas recusei. Depois me recomendaram folha de coca e mangavam de mim, dizendo que não iria chegar em Uspallata. Fiz uns cálculos e percebi que com aquela velocidade iria chegar de noite lá. Era uma subida muito pesada e não poderia ir contra natureza, então, resolvi relaxar e admirar mais a paisagem. Quando a subida terminou, começou a descida e, depois subia mais um pouco, descia novamente. E assim sucessivamente até Uspallata. Porém, antes de chegar lá, um paulista, chamado Zé Oswaldo, me encontrou. E seguimos juntos até o Chile. Finalmente conseguimos chegar em Uspallata, mas de tarde, e não a noite como previ. Conhecemos mais dois argentinos que vinham de bike também, mas haviam feito outro caminho (mais difícil, por Las Heras) até Uspallata. Depois, não vimos mais os dois argentinos, talvez tenham desistido, ou provavelmente descansaram um dia. Contos de uma travessia dos Andes Na manhã seguinte, partimos para Puente del Inca. Um policial nos parou e nos advertiu que faria vento ao contrário a tarde. E foi o que aconteceu, a subida que parecia razoável, começou a ser quase invencível. Contudo, chegamos em Punta de Vaca, aonde almoçamos. Havia muitos andistas de várias partes do mundo com linguagem totalmente estranha, pareciam ET's conversando entre si. O dono do bar-restaurante ficou me encarando, foi a oportunidade que Zé teve para tirar sarro de mim, dizendo que o dono estava afim de mim. Foi quando o dono perguntou se tinhamos encubierta de reserva (pneu de scape), disse-lhe que não, então, ele me advertiu que deveriamos ter, pois poderia pinchar(furar). Foi quando 2 km depois de sairmos de Punta de Vaca, o pneu de minha bicicleta rasgou de ponta a ponta, fizemos um remendo provisório até chegarmos a próxima cidade para trocar de pneu. Não esquecemos de amaldiçoar o feiticeiro do restaurante de Puente del Inca, claro. Lazarento como dizem os curitibanos. Mas na próxima cidade, Penitentes, não havia bicicletaria, claro, muito menos em algum lugar da cordilheira. Fiquei desesperado, pensei numa possibilidade de encontrar um morador pedalando ao redor, e tomá-lo sua bici, mas que nada (quem vai andar de magrela nos Andes, só louco). Foi quando chegamos finalmente, cansados, exaustos em Puente del Inca, a 2700 metros sobre o nível do mar. Incrível. Fizemos um remendo de novo na bici, como a camera quase pulando para fora do pneu, mas agüentou bem até a cidade de Los Andes, já no Chile. Foi aí que comecei a chamar o Zé de Macgver ( sim, o inacreditável da série Profissão Perigo, que com um fio e um celular, faz explodir uma ponte). Mas antes de Los Andes passamos por Las Cuevas 3151 msnm, o ponto mais alto. Depois, passamos pela aduana (2 horas de espera e revista).
Depois da aduana vem a temida descida da Cordilheira: Los Caracoles. Chamam assim, porque a descida é em formato de caracol. Seus perigos são: estradas esburacadas, caminhões passando devagar bem ao seu lado e a proximidade com o precipício ( mais ou menos uns 100 metros), além de ventos fortes, que se descuidássemos poderiamos ser derrubados para fora da pista, ou seja, 100 metros abaixo. Contudo, chegamos vivos em Los Andes, cidade tranqüila e caríssima, como todas as cidades do Chile. Mas 90 km chegaríamos em Santiago do Chile, foi o que conseguimos fazer no dia seguinte. Ao chegarmos em Santiago, dia 17 de janeiro de 2006, eu e Zé nos separamos. Eu fui ao hostel, que minha noiva se encontrava e estava esperando minha chegada. Quando cheguei havia saído. Então, tomei um banho, fiz barba (já de uma semana) e troquei de roupa. Fiquei pensando em todos os percalços que passei durante a viagem, e de repente, puft, acabei dormindo e só acordei com um beijo de minha noiva, Gleicy, que estava super feliz com minha chegada. FIM
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